A curadoria de conteúdo

A curadoria de conteúdo
novembro 13, 2015 Filipe Manoukian

O especial Cocainecomics inundou a minha timeline (e a sua também), meses atrás, promovendo a série “Narcos”, da Netflix. Detalhe: ninguém reclamou que o conteúdo, feito pelo braço de branded content do “Wall Street Journal”, era uma propaganda.

Atualmente, a relação é ainda mais importante que a mensagem. Mais do que exibir conteúdo, é preciso ser aceito pelo leitor.

O filósofo francês Dominique Wolton escreveu no livro “Informar Não é Comunicar” (Editora Sulina): “A revolução do século 21 não é da informação, mas a da comunicação. Não é a da mensagem, mas a da relação. Não é a da produção e da distribuição da informação por meio de tecnologias sofisticadas, mas a das condições de sua aceitação ou de sua recusa pelos milhões de receptores”.

O que isso significa? Ainda mais importante que o robô e o algoritmo, que dão as cartas ao selecionar conteúdos conforme nossos hábitos de navegação, é o estudo para que o conteúdo seja relevante, que engaje, que provoque uma reação do leitor.

É aí, por exemplo, que o “Cocainecomics” acertou em cheio. O conteúdo, hoje, precisa ser pensado de acordo com a plataforma de veiculação, segundo o perfil do público-alvo, precisa conversar e gerar valor independentemente do canal de distribuição. Para isso, o papel do curador humano é indispensável.

A cabana.work sabe disso e tem experiência quando o assunto é se relacionar com o leitor. Ainda antes da chegada dos especiais “Tudo Sobre”, da “Folha de S.Paulo”, e “TAB”, do portal “UOL”, editores que integram o time da cabana.work já discutiam e elaboravam um conteúdo editorial interativo e dinâmico, a partir de uma primeira experiência no “New York Times”.

No youPIX COM 2015, Meredith Levine, que se autointitula fanthropoligist, traçou diferentes tipos de comportamento entre os fãs de conteúdos, celebridades e marcas a partir de seus estudos antropológicos de “cultura de fãs”. Neles, ela apontou cinco fatores que conferem autenticidade para esse relacionamento: imperfeição, mundanidade, dedicação, paixão e conversa.

Ou seja: se a interação é genuína, ela funciona. Para nós, a comunicação sempre será natural, seja em um ambiente formal ou um informal, seja entre amigos ou entre clientes. Mais desafiadora, sim, porém cada vez mais prazerosa.